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César Maia

Quarta-feira, Abril 09, 2003

HISTÓRIAS DO NOSSO BAIRRO
HISTÓRIAS DE ÁGUA SANTA
As histórias de todos os bairros podem ser contadas através de pesquisas em documentos antigos e ou pelo testemunho que ficou de pais para filhos e destes para os netos.
Cada cidadão com mais de cinqüenta anos, por exemplo, deve ter na memória as histórias que ouviu de seus pais, avós, parentes e vizinhos mais antigos. Essas histórias podem nos levar a fatos ocorridos no decorrer de todo o século XXIX, o que já seria um documentário bastante esclarecedor, tendo em vista que faltam depoimentos e documentos sobre os nossos bairros.
Sobre Água Santa, minha memória vai até os anos quarenta, da minha infância, mas ainda lembro algumas histórias contadas pelos mais antigos.
É baseado nessa memória que vou fazer este relato, na esperança de que outros façam o mesmo sobre os bairros onde viveram e nos transmitam através do e-mail mpacheco@onossobairro.com.br para que possamos compor o documentário HISTÓRIAS DO NOSSO BAIRRO que estou elaborando.
O relato a seguir, foi tirado (e ampliado) da edição número dois do jornal O NOSSO BAIRRO publicada em setembro de 1994
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A PARTEIRA MARICOTA
João Benevides e Maria da Glória, casaram em Portugal ¿ em Trás-os-Montes ¿ no final do século XXIX, e vieram para o Brasil. Ela, uma jovem de 15 anos, trouxe sua mãe (Antônia). Ele, com trinta anos, veio para trabalhar na Estrada de Ferro Dom Pedro II.
Trouxeram algum dinheiro, que aplicaram na compra dos imóveis localizados à rua Paraná, 1008 e 1030.
O casal Benevides teve seis filhos: Antero, Durval, Manoel (Manduca), Henrique, Amélia e Maria a mais nova (minha mãe).
Do velho João, só sei que morreu deixando os filhos ainda pequenos. Mas das ¿vovós¿ ¿Maricota¿ e Antônia, guardo muitas lembranças.
Naquele tempo, havia poucos médicos no Serviço Público. Eram as ¿parteiras¿ e rezadeiras que faziam os partos e cuidavam das doenças mais comuns da comunidade. Algumas dessas pessoas eram orientadas pelos serviços de saúde a faziam cursos para aperfeiçoar o que já conheciam através das informações que receberam dos mais antigos.
Foi assim que ¿Dona Maricota¿ e nossa casa se transformaram num verdadeiro ¿Serviço de Saúde de Água Santa¿, do início do século XX até 1944, quando ela faleceu. Durante todos esses anos ¿ eu a acompanhei muitas vezes ¿ a parteira Maricota freqüentou quase todas as residências de Água Santa, subindo os morros ¿Dos Pretos Forros¿ e ¿Inácio Dias¿ para acompanhar o período de gestação das mulheres e assistir ao parto, ¿aparando¿ nenéns. Quando o local era de difícil acesso, como o alto dos morros, ela permanecia nas casas das parturientes nos últimos dias de gestação, aguardando a hora do parto. E nada cobrava.
Como quase todos os moradores dessas regiões eram chacareiros, que vendiam seus produtos na feira do Engenho de Dentro. Era comum, aos domingos, passarem na nossa casa para deixar um ¿agrado¿ em forma de verduras, frutas, legumes e, até pedaços de porcos quando abatiam para o próprio uso, banha, lingüiça, galinhas e ovos.
Ainda sob orientação do Serviço Público de Saúde, a parteira ¿Maricota¿ (hoje seria uma para-médica) aprendeu a utilizar muitos remédios caseiros, feitos com ervas medicinais, como xaropes e garrafadas. E mesmo no final de sua vida ela não deixou de atender aos ¿clientes¿. Um mês antes de sua morte, ¿aparou¿ o bisneto Adail, filho da neta Flausina. Isto em agosto de 1944.
Dona Maricota não era apenas uma parteira de carteirinha, como se dizia na época sobre as parteiras autorizadas pelo Serviço de Saúde Pública. Ela curava muitas outras doenças com remédios caseiros à base de ervas medicinais e uma famosa garrafada que levava ingredientes fortes e que era capaz de ¿levantar doentes desenganados¿, tudo sob a orientação de ¿vovó Antônia¿, minha bisavó, que era rezadeira e responsável por curas miraculosas de ¿espinhela caída¿, ¿quebranto¿, ¿cobreiro¿, ¿ventre-virado¿ e muitas doenças que hoje são conhecidas por outros nomes. As rezas e os conhecimentos sobre ervas e remédios caseiros que se usava para as curas, eram passados de mães para filhas, chegando aos dias atuais, com algumas perdas lamentáveis.
Lembro-me de uma cena que se repetia todos dias pela manhã: minha primeira urina era recolhida pela vovó Antônia, que a passava no rosto. Quando nos deixou, ela tinha a pele marcada pelos anos, evidentemente, mas de uma beleza inesquecível. Faço este relato porque, recentemente (março de 2003), recebi um release de uma indústria de cosméticos, informando que a ¿uréia¿ é, hoje, um dos componentes dos produtos usados para proteger a pele, oferecendo ótimos resultados. Como se vê, uma mulher que nasceu no século XXIX ¿ no interior de Portugal ¿ já conhecia o poder da uréia na proteção da pele.
Nota do editor: É possível que alguém diga que estou fazendo este relato por ser a ¿heroína¿, minha avó. Mas não é este o motivo. Posso garantir que minimizei os feitos de dona ¿Maricota¿ para não parecer exagero. O motivo verdadeiro é que a região do Grande Méier é onde está localizada a maior ¿colônia¿ de portugueses e descendentes, oriundos de Trás-os-Montes, e como os patrícios só vinham para o Brasil quando chamados por outros, com emprego garantido, pode ser que muitos deles tenham vindo a pedido de meu avô que, por sua vez, veio sob contrato da Estrada de Ferro Dom Pedro II, que se expandia e precisava de técnicos. Isto, apesar de fazer parte da minha história, não deixa de ser parte da História de Água Santa.
UM MAPA NA MEMÓRIA
Na minha infância (nasci em 1938), Água Santa era uma grande área agrícola, com diversos portugueses cultivando hortas e pequenos pomares de frutas que vendiam para os vizinhos ou levavam aos domingos para a feira do Engenho de Dentro, a maior de toda a região. Além das chácaras, havia muitas residências habitadas por funcionários da Estrada de Ferro e do ¿Hospital dos Malucos¿ (CPPII).
Os bairros do Rio de Janeiro já experimentavam o progresso trazido pela estrada de ferro, os bondes elétricos e os lotações, que deram origem aos ônibus. Em Água Santa dos anos quarenta, circulavam lotações do tipo ¿cristaleira¿ (carros do início do século) fazendo o percurso Engenho de Dentro-Água Santa e Lotações para a Praça Mauá. Havia também linhas do Méier para Cascadura, passando pelo bairro.
Para mim, Água Santa começava no final da rua Pompílio de Albuquerque, exatamente na ¿favela da Congonha¿, onde residiam os remanescentes dos ¿pretos forros¿ que habitaram todo o morro que ali começava e que recebeu este nome por ser habitado por negros que ganhavam ou compravam sua alforria. Ali bem perto, na confluência das ruas Borja Reis, Monteiro da Luz e Pompílio de Albuquerque, havia um comércio chamado de ¿Três Vendas¿, pelo fato de ser constituído de três estabelecimentos comerciais.
Na favela da Congonha, começava a rua Violeta que, no ¿Largo do Abaixa¿ fazia confluência com a rua Monteiro da Luz.
Nos anos quarenta e cinqüenta, o ¿largo¿ tinha um comércio intenso, formado por uma padaria, um armazém, uma carvoaria, um botequim e uma barbearia. Tudo no imóvel localizado à esquerda de quem seguia em direção à rua Monteiro da Luz. Do outro lado do ¿Largo do Abaixa¿, na rua Monteiro da Luz, ficava a chácara do ¿seu Queiroz¿ que ia dali até onde está localizado o posto de gasolina. ¿Seu Queiroz¿ era mais um português trasmontino, como todos os outros. Ao lado dessa chácara, seguindo pela rua Violeta, ficava a ¿fazenda do doutor¿ como era conhecido o proprietário de uma verdadeira mansão, localizada na área hoje ocupada pelas duas primeiras vilas. Estas e as outras vilas até à rua Paraná, onde está a Igreja de São Pedro, pertencia ao ¿doutor¿ Vicente, que trazia gado do interior para vender aos frigoríficos e o deixava naquela pastagem para recuperar o peso perdido na viagem.
No local onde a ditadura construiu o presídio Ary Franco (que estava projetado para ser uma delegacia de polícia), ficava a chácara do ¿seu Freitas¿ outro português muito conhecido.
O campo de futebol que hoje é usado pelos presos do Presídio de Água Santa, era o local onde nós (os meninos da época) jogávamos bola, em campeonatos organizados pelo Antenor da Rocha, marido da Flausina, que morava na rua Paraná, 1130, uma casa antiga que a Light canadense sempre respeitou, mas a Light francesa se apossou sem nada pagar aos antigos moradores, que já moravam no local quando a rede de eletricidade foi colocada. Mas isto é outra história que ainda vamos aprofundar.
Antenor da Rocha (o Nô) era um ¿calceteiro¿ ¿ funcionário do município que colocava paralelepípedos nas ruas, antes de se implantar o asfalto. Uma profissão que já não existe.
BALÕES GIGANTESCOS
Naquele mesmo campinho, o ¿seu Joaquim do armazém¿ irmão do policial municipal João Ferreira. soltava gigantescos balões, já proibidos na época, mas que eram soltos sempre em um domingo de festa, precedido de muita expectativa, e que contava com a presença de viaturas policiais e muitas autoridades onde não faltavam os políticos. Nesses dias, milhares de pessoas aguardavam a hora do balão subir.
Os balões do ¿seu Joaquim do armazém¿ eram feitos com mais de mil folhas de papel usado para embrulhar banha no armazém, que ficava na rua Paraná 1202 ¿ cruzamento com a Rua Brasil, hoje rua da Pátria.
Os gomos eram decorados com desenhos diversos e reforçados com cordões em toda a sua extensão, para não estourar com o vento e a força do calor das buchas.
As bocas tinham diâmetro de mais de um metro, e eram feitas por ferreiros em chapas de ferro, que eram colocadas com a bucha, na hora em que os balões eram soltos.
Hoje em dia os balões podem até ser maiores, mas naquele tempo era tudo muito mais difícil. Por exemplo: não existia o botijão de gás que hoje facilita o levantamento do balão. Por esse motivo, os balões eram levantados por uma corda que passava por uma roldana, na ponta de uma barra de ferro amarrada em bambus gigantes. Depois de içar o balão, uma bucha era colocada em baixo para ajudar a encher. Depois que o balão estava cheio, o bambu e a barra de ferro eram mantidos apenas como guia, enquanto se colocava a boca com a bucha. Como o calor existente dentro do balão era suficiente para levanta-lo, mesmo sem fogo, imagina-se a força que os homens faziam para mantê-lo no chão, enquanto terminavam os preparativos.
O último balão do ¿seu Joaquim do armazém¿ que tenho notícia, subiu com um para-queda levando um boneco de papelão, vestido com o uniforme do Conceição Futebol Clube (principal clube local, da época) e caiu na praia de Icaraí. Levava uma cédula de ¿quinhentos mil réis¿ e um bilhete com o telefone do armazém, onde ¿seu Joaquim¿ pedia para quem o pegasse, entrar em contato com ele.
FESTAS JUNINAS
O bairro de Água Santa era festeiro por excelência e uma das festas mais movimentadas era a de São João que meu pai, Aldi Pacheco dos Santos organizava. Vinha muita gente de longe para ver os balões que, apesar de menores do que o do ¿seu Joaquim¿, eram também gigantescos e muito mais decorativos. Seu Aldi ficava quase o ano inteiro pintando com pincel, cada gomo dos balões, onde se viam flores e escudos dos diversos clubes, com seus respectivos símbolos. E eram muitos balões, pois além dos que meu pai fazia, diversos convidados levavam seus balões para soltar durante a festa.
À noite começava um verdadeiro show com um regional composto por músicos famosos da época ¿ todos amigos ¿ (não sito nomes para não ser injusto pela omissão) e um programa de calouros onde pontificaram duas cantoras que, mais tarde, ficaram famosas: Alayde Costa e Elza Soares, ambas moradoras do bairro.
A casa da rua Paraná, 1030, recebia muita gente, e a festa não tinha hora para acabar. A decoração, com bandeirinhas, galhos de bambu, palmeiras e lanternas iluminadas, ficava por conta das crianças.
Como não podia deixar de ser, tinha fogueira que queimava a noite inteira e toda aquela comida típica. Isto sem falar nos fogos.
ORIGEM DO NOME
Há quem dê outra explicação para a origem do nome de Água Santa. Mas a que considero mais adequada e verdadeira é a que me foi contada por antigos moradores.
A estrada da Covanca, que se pode ver em mapas antigos com a advertência de que era trafegável (não sei como), começava no final da rua Monteiro da Luz, junto à água Mineral Santa Cruz, e subia o morro até ao ¿Barracão dos Presos¿, onde começava a descida para Jacarepaguá. Essa estrada era utilizada pelos tropeiros que vinham daquela região, onde ficavam as grandes fazendas e chácaras.
Um desses tropeiros, desenganado pelos médicos por uma doença incurável no estômago, muito religioso, sempre parava para descansar no alto do morro, e rezava pedindo que sua doença fosse curada. Certo dia, tomou da água de uma fonte e sentiu um grande alívio. Depois disso, passou a levar consigo um garrafão que enchia com a água daquela fonte e levava para casa.
Diz a lenda que ele ficou curado e acreditou ser um milagre da ¿água santa¿. Esta fonte ainda existia nos anos sessenta, quando fui ao local para fotografar e contar a história.
O BARRACÃO DOS PRESOS
Contam os antigos moradores que, no alto do morro, onde começa a ¿mata do governo¿, havia uma prisão. E que os presos que ali ficavam, foram usados para abrir as vias de acesso à Água Santa, como a Estrada da Covanca e as ruas Monteiro da Luz e Rua Brasil (hoje rua da Pátria).
O trecho da rua Monteiro da Luz, que vai da rua Paraná até o ¿Largo do Abaixa¿ era uma ladeira acentuada (daí o nome abaixa) cujo barranco foi cortado com as picaretas dos presos.
UM GRANDE CELEIRO DE CRAQUES
Água Santa teve grandes clubes de futebol e pode-se dizer que sempre foi um celeiro de craques. Os mais antigos falavam de times como o Tavares, que trouxe grandes glórias para a região. Mas os do meu tempo, tiveram a oportunidade de ver a rivalidade entre o Palestra F. C. e o Conceição F. C..
O Palestra ocupava o campo de futebol do extinto Violeta de grandes craques e muitas glórias. O campo do Violeta, depois Palestra ficava exatamente na área onde hoje está o conjunto residencial, próximo à praça do pedágio da Linha Amarela.
Quando o Palestra desapareceu, o campo foi mantido pelos moradores que criaram outros times, que, por sua vez, mantiveram a tradição de celeiro de craques. Alguns dos times que se destacaram nesse campo, foram: Bons Amigos, Tamoio, Esperança e outros, que, no momento não lembro. Se alguém lembrar, pode me dizer que eu corrijo a falha.
Mas o Conceição F.C. foi o que mais se destacou, talvez por ter melhor infra-estrutura e organização. A origem de seu nome se deve ao fato de sua fundação ter ocorrido no dia 8 de dezembro, dia de N. S. da Conceição.
Durante muitos anos ele funcionou numa sede modesta localizada na Travessa Soares Pereira, enquanto o campo de futebol ficava na rua Fontoura Chaves em parte de um terreno da Light e parte cedida por um morador.
A sede que hoje (abril de 2003) parece abandonada, ainda pertence ao clube, que, há muito, não tem atividade social. Mas nos anos 50 recebia uma freqüência diária muito intensa, com jogos de salão como sinuca, tênis de mesa e outros. Era, também, o ponto de encontro dos jovens da região. Nos fins de semana havia seções de cinema e bailes sociais.
Ainda hoje, o campo de futebol do Conceição, continua funcionando e mantendo a tradição de Celeiro de Craques. Agora, mais do que nunca, pois cada vez mais se reduzem os campos de futebol onde os jovens podem aperfeiçoar suas habilidades com a bola.
O VÁRZEA TAMBÉM FAZ PARTE DA HISTÓRIA
Muito antes de se transformar em um dos melhores clubes do Subúrbio, o Várzea Country Clube foi a chácara do Dr. Assis carneiro que, muito ciumento, construiu uma capela só para sua linda mulher não precisar ir à igreja.
Foi, ainda, uma casa de repouso. E nos anos quarenta, a Companhia Paulista de Artes Gráficas, fabricante dos famosos baralhos COPAG, adquiriu a área para construir um cassino, mas não chegou a terminar a obra devido à proibição do jogo.
Nos anos que se seguiram, foi utilizada como granja onde eram criadas muitas aves e seu proprietário a utilizava para o lazer de fim de semana. Até que, nos anos cinqüenta, a Companhia Várzea do Carmo adquiriu as duas glebas que compõem o imóvel e lançou à venda os títulos de sócio proprietário do Várzea Country Club. Um grande sucesso e venda.
Por muitos anos, o Várzea se manteve em evidência, até que a televisão passou a reter as pessoas em casa e a convivência social, nos clubes, se reduziu.
Hoje (abril de 2003) o movimento do Várzea é maior no período de verão devido à qualidade das águas de suas piscinas, que recebem água daquela fonte que deu origem ao nome do bairro. A famosa ¿Água Santa¿, cuja fonte continua brotando no alto do morro
ÁGUA MINERAL JÁ FOI ÁREA DE LAZER
Nos anos quarenta e cinqüenta, o Parque da Água Mineral Santa Cruz só perdia para a Quinta da Boa Vista em tamanho. Famílias de toda a região passavam o domingo em seus jardins, usufruindo um agradável convívio com a natureza, onde não faltavam cachoeiras e recantos próprios para o pic-nic.
Todos levavam garrafas e garrafões que enchiam na volta do passeio levando para casa a água famosa por suas propriedades medicinais.
Lamentavelmente, o parque fechou suas portas devido à falta de segurança e o abuso de freqüentadores que quebravam plantas e deixavam o local cheio de lixo.
O proprietário da Água Mineral, Dr. Alberto, me disse certa vez ¿ quando reclamei pelo fechamento da área - que se a prefeitura se encarregasse de manter a limpeza do local e a polícia garantisse a segurança, ele nada teria contra o passeio das famílias, nos fins de semana.
Na história da Água Mineral Santa Cruz, consta que o hoje conhecido Arthur Sendas, começou sua carreira vendendo aquela água mineral em um caminhão que logo virou uma frota.
LINHA AMARELA É OUTRA HISTÓRIA
O jornal O NOSSO BAIRRO foi um dos maiores críticos das obras da Linha Amarela, não pelo que ela representa como ligação entre as zonas oeste e norte, mas pela forma como foi feita.
No momento, estou reunindo todos os fatos abordados pelo jornal para compor este capítulo.
Aguardem!

Por hoje, é só. Mas logo que tenha novas informações, ou minha memória traga de volta outras recordações, voltarei ao assunto.
M. Pacheco ¿ em 09 de abril de 2003.

Opine!


Quarta-feira, Abril 02, 2003

CAMPANHA ELEITORAL JÁ COMEÇOU

Dois anos depois de assumir o governo do Rio de Janeiro, o prefeito César Maia começou a executar o PROJETO REELEIÇÃO.
Com uma arrecadação de cidade/estado e sem nada fazer de importante até agora, César Maia conseguiu entesourar quantia suficiente para começar a se projetar na mídia - inclusive a nacional - como um administrador "competente". A oferta de ajuda financeira ao "II Governo Garotinho" faz parte da estratégia.
A partir de agora, diversas obras monumentais serão anunciadas. Algumas podem até serem inauguradas antes das eleições, mesmo que incompletas, como a Linha Amarela; outras, serão alvo de críticas como obras de fachada como alguns Rio-Cidade e Favela-Bairro. Mas todas deixarão um saldo positivo de votos.
Em 2004, César Maia será candidato à reeleição - provavelmente com Solange Amaral como vice, para pagar o sacrifício que ela fez em aceitar a candidatura ao governo do estado e perder um mandato parlamentar que poderia ter conquistado. Como se considera imbatível na prefeitura do Rio, César Maia deve ter prometido dois anos de mandato (2004/2006) para Solange Amaral.
Em 2006 ele, finalmente, vai realizar o grande sonho de se candidatar à presidência, usando como carro-chefe de seu marketing político, os Jogos Pan-Americanos com alguns estádios olímpicos que vai espalhar pela cidade e o túnel da Grota Funda.
NOSSA POSIÇÃO
A partir de agora, César Maia passa a ter uma seção exclusiva neste jornal. Nele, vamos acompanhar todos os passos do candidato, permeando as notícias, críticas e informações, com alguns fatos ocorridos por ocasião da construção da Linha Amarela e do Rio-Cidade Méier, que, até hoje, não foram esclarecidos.
As questões levantadas por moradores, que envolvam ação de qualquer órgão da prefeitura, também serão enfocadas nesta seção.
Quando houver motivo de crítica, faremos, primeiro, uma consulta ao prefeito. E só depois emitiremos opinião.
Quem tiver algo a dizer, basta clicar em "opine" ou "fale conosco".
M. Pacheco - em 02/04/03.

LINHA AMARELA
LAMSA só age sob pressão
Em maio de 2002, o jornal O NOSSO BAIRRO enumerava alguns problemas que a concessionária Linha Amarela S. A. estava deixando de lado.
1 - Uma passarela que liga as ruas Pompílio de Albuquerque com Ramiro Magalhães, foi construída com altura inferior ao convencional, causando danos a diversas transportadoras que tinham seus carros danificados;
2 - Essa mesma passarela deixa um espaço por onde passam crianças para pegar pipas e alguns indivíduos irresponsáveis jogam lixo, inclusive animais mortos, prejudicando os moradores;
3 - Quando da construção da Via Expressa a empreiteira OAS, proprietária da LAMSA, destruiu toda a tubulação de esgoto das ruas próximas, principalmente as ruas Pompílio de Albuquerque e Borja Reis e cabe à concessionária recuperar o que foi destruído;
4 - A saída 02 - acesso à rua Pompílio de Albuquerque - fica intransitável em dias de chuva forte, por erro de construção que prejudica os moradores e usuários da via expressa. Mas como esses usuários não pagam pedágio, a concessionária não vê interesse em resolver o problema.
5 - O acordo feito entre a prefeitura e a OAS de que 0,1% do pedágio seria destinado ao meio Ambiente ainda não se concretizou. Talvez seja para que não haja controle na arrecadação.
Estes e diversos problemas foram enfocados naquela edição do O NOSSO BAIRRO. Há 15 dias, colocamos neste site e mandamos um e-mail para a LAMSA informando que os moradores da rua Pompílio de Albuquerque, cansados de esperar por uma solução, iriam queimar pneus na pista em direção à Barra da Tijuca, o que prejudicaria a arrecadação do pedágio.
Foi o bastante para que se tomasse uma providência:
O muro que dava acesso à pista foi fechado;
E já começou a obra que vai suspender a passarela.
Aprendemos a lição. É só no tranco que eles pegam.
Só falta os ambientalistas fazerem o mesmo que os moradores fazem e conseguirem que a Linha Amarela S. A. passe a recolher o que deve ao Conselho Municipal de Meio Ambiente, ou o prefeito César Maia resolver fazer a cobrança.

Um pouco da história do Méier
NO 16 DE MAIO O MÉIER COMPLETA 100 ANOS DE FUNDAÇÃO

Nesta data, em 1903, o Méier era reconhecido oficialmente, através do decreto 434
13 de Maio de 1899, foi a data de inauguração da estação ferroviária


Estes são os destaques:
- Em março de 1858, foi inaugurada a Estrada de ferro Dom Pedro II, trazendo progresso e cortando toda a região do Méier pelas terras doadas pela família Duque estrada Meyer. O aterro da área alagada, provavelmente foi feito com o material do desmonte do trecho que faz a ligação com o Engenho Novo.
- A comitiva imperial que fez a primeira viagem da Estação Central (Praça da República) até Maxambomba (Nova Iguaçu) saiu às 11,50h, retornando às 4,40h "com a composição (a vapor) desenvolvendo velocidade moderada em virtude da grande manifestação do povo de todas as localidades, que em correrias e saudações, invadiam as linhas férreas" informa o historiador Agostinho Seixas do DPHA.
- Em 13 d maio de 1889, trinta e um anos depois da inauguração da EFDPII, era inaugurada a estação do Méier. Até então o local era conhecido como ¿Cancela do perna de pau¿ devido ao defeito físico do responsável pela abertura da cancela que ligava os dois lados da via férrea, onde hoje estão as ruas Medina e Coração de Maria.
- Em 1892, os comerciantes proprietários da empresa Teixeira, Borges & Barbosa, donos de terrenos próximos à estação, abriram diversas ruas que foram reconhecidas pela municipalidade, algumas delas homenageando membros da família Barbosa, como Constança Barbosa, Ana Barbosa, etc.;
- Em 1895, uma linha de bondes da Companhia de carris de Vila Isabel, ligava o bairro à estação de São Francisco Xavier, trazendo mais desenvolvimento;
- O Distrito do Méier, foi oficialmente reconhecido, por ocasião do decreto nº 434, de 16 de junho de 1903, que criou o 2º Distrito da região. O Primeiro era o de Engenho Novo. Devido a este fato, há que reclame esta data como a verdadeira data de fundação do Méier, que estaria completando, este ano, o seu PRIMEIRO CENTENÁRIO.
- De 13 de maio de 1889 até 16 de junho de 1903, o Méier era apenas mais uma parada de trens;
- Toda a grande área de terras em que hoje ficou construído o bairro do Méier, bem como muitos outros, pertenceu aos herdeiros e sucessores da família Duque estrada Meyer, originando-se deles o nome que foi adotado para o local. Em 1822 diversos herdeiros dos Meyers eram proprietários de terras desmembradas da gleba original.
- A estação de todos os santos foi inaugurada em 24/12/1868, dez anos depois da inauguração da estrada de ferro e 21 anos antes da construção da estação do Méier, o que dá uma idéia de que Todos os Santos era mais importante, naquela época.
- A estação de Riachuelo foi inaugurada em 1º de fevereiro de 1869; a estação do Rocha em 1º de dezembro de 1885 e a estação de Sampaio em 12 de julho de 1885.
- As ruas São Francisco Xavier e 24 de Maio são remanescentes de uma estada construída pelos Jesuítas, que ligava o Morro de Pedregulho - São Cristóvão - até a fazenda do Engenho Novo, passando pelo Engenho Velho. Do Engenho Novo a estrada seguia pela região onde estão os bairros de Méier e Água Santa e seguindo até Jacarepaguá, pela Estrada da Covanca, onde hoje está a Água Mineral Santa Cruz.
- Em 1828, várias chácaras faziam parte da região e o Jornal do Commercio anunciava que: "Luiz Faroux oferece à venda grandes chácaras com árvores frutíferas como macieiras, pereiras, pessegueiros, bananeiras, cafezal, água em abundância, matas virgens, curral, além de casas, oficina, senzalas para escravos e terreiro".
- A partir de 1858, após a inauguração da EFDPII, o progresso chegou ao "sertão" do Rio de Janeiro, que passou a se chamar subúrbio.Diversas ruas e avenidas foram abertas e as companhias de carris (Vila Isabel, São Cristóvão e outras) que faziam o transporte em bondes puxados por animais, passaram a estender suas linhas para os novos logradouros. Uma delas - Cachambi - fazia um percurso circular ligando aquele logradouro à estação do Méier.
- A iluminação no subúrbio, era feita em 1860, pelo sistema de azeite de peixe, mas usava-se o sebo na falta do azeite. Em toda a região existiam, na época, 251 lampiões, que só permaneciam acesos durante 18 dias no mês.
- A partir de 1876 a iluminação por azeite foi substituída pelo sistema de "gaz-globs".
- O progresso se acentuou com a chegada da energia elétrica. A partir de 1925, já eram muitos os logradouros públicos que contavam com eletricidade.
- Os bondes por tração animal foram dando lugar aos de tração elétrica quando a Light adquiriu todo o material rodante das antigas companhias de carris.
- O Decreto nº 5.494 de 10 de dezembro de 1873, estabeleceu os limites da Freguesia do Engenho Novo;
- Em 1891, Pedro Antônio Fagundes pedia privilégio para introduzir melhoramentos em toda a região até Cascadura, sendo previsto em seu plano a construção de ruas, avenidas, escolas, mercados, linhas de carris e vilas residenciais para venda dos imóveis em prestações. Em troca do empreendimento ele pedia isenção por 30 anos de impostos prediais, pagamento de foro e outros benefícios pessoais, inclusive desapropriação de áreas de terras localizadas em toda a região.

Outros dados serão acrescidos na medida em que forem chegando ao nosso conhecimento. Se o leitor tem alguma informação a fornecer, pode fazer por e-mail ou para a Caixa Postal 31013 - CEP 20732-970
Você e seus avós também fazem parte da HISTÓRIA DO NOSSO BAIRRO
Estamos levantando informações e documentos de todos os bairros da cidade. Ajude-nos a ampliar essa obra.



Opine!




JUIZ LADRÃO
Em julho de 1994

Por que temos que baixar a cabeça diante de um juiz ladrão, que rouba, escandalosamente, o nosso time?

Por que continuar aceitando, pacificamente, as regras do jogo, quando sabemos que quem as fez, foi o adversário?

Precisamos criar novas regras, que sirvam a todos. Mas, antes, temos que expulsar de campo, o juiz ladrão.